Acordei com vontade de escrever uma música. Uma canção que pudesse falar tudo que estou sentindo por você. Porém, eu não sou compositor. Não entendo de acordes, notas musicais, harmonia. Nem toco nenhum instrumento. Mas, modéstia à parte, conheço as letras. Gosto das palavras. Dos significados que elas trazem nas entrelinhas. Das rimas, dos sons, da inspiração. Meu muso. Quando vejo o seu sorriso nos meus sonhos, desperto assim.
O refrão vai ser fácil. A repetição de ideias para reforçar o que estou sentindo: você é tudo o que eu sempre sonhei. Íntimo. Intenso. Presente. Sua ausência será descrita na primeira estrofe: onde está você? Que não vejo mais. Que não ouço mais. Que não sinto mais. Volta pra mim.
Entre violões e o sussurrar do saxofone, pensei que seria interessante colocar um solo: a lua foi a nossa testemunha, um casal apaixonado fazendo amor de madrugada. Sem pé, sem cabeça, mas o corpo inteiro junto. Entrelaçados debaixo dos lençóis. Entre os caracóis dos seus cabelos, ficou um pouco de perfume da sua mão. Ainda sinto seu cheiro. A sua respiração.
O que eu posso fazer, se eu não consigo lhe esquecer. É amor demais, é prova de Deus. Sentimentos confusos. Eu fiz os gestos exatos, aprendi num filme para um dia usar. Mas o jogo do amor é tão difícil de entender. Volta pra mim. Eu penso na solidão, espalho coisas recortadas em cima da cama, sua imagem não sai do meu pensamento. E ele voa. Onde está você agora?
É uma canção de amor. Pra tocar na rádio no momento Good Times. Pra você ouvir e se apaixonar. E eu só não te convido pra dançar, porque eu quero encontrar contigo em particular . Longe dos olhares curiosos. Pode ser na realidade, nos meus sonhos. Naqueles que sonhamos juntos. À capela: eu tenho um lado doce que quase ninguém viu. E você os sentiu. Faça sinais. Mesmo que sejam sinais de fogo. Não sei terminar. As palavras que guardo no meu coração não existem no dicionário. E quando você entender o meu vocabulário, saiba que era pra dizer somente sobre o maior sentimento vivido pelos homens.

