sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Seu sorriso é minha inspiração

            Acordei com vontade de escrever uma música. Uma canção que pudesse falar tudo que estou sentindo por você. Porém, eu não sou compositor. Não entendo de acordes, notas musicais, harmonia. Nem toco nenhum instrumento. Mas, modéstia à parte, conheço as letras. Gosto das palavras. Dos significados que elas trazem nas entrelinhas. Das rimas, dos sons, da inspiração. Meu muso. Quando vejo o seu sorriso nos meus sonhos, desperto assim.
            O refrão vai ser fácil. A repetição de ideias para reforçar o que estou sentindo: você é tudo o que eu sempre sonhei. Íntimo. Intenso. Presente. Sua ausência será descrita na primeira estrofe: onde está você? Que não vejo mais. Que não ouço mais. Que não sinto mais. Volta pra mim.
            Entre violões e o sussurrar do saxofone, pensei que seria interessante colocar um solo: a lua foi a nossa testemunha, um casal apaixonado fazendo amor de madrugada. Sem pé, sem cabeça, mas o corpo inteiro junto. Entrelaçados debaixo dos lençóis. Entre os caracóis dos seus cabelos, ficou um pouco de perfume da sua mão. Ainda sinto seu cheiro. A sua respiração.
            O que eu posso fazer, se eu não consigo lhe esquecer. É amor demais, é prova de Deus. Sentimentos confusos. Eu fiz os gestos exatos, aprendi num filme para um dia usar. Mas o jogo do amor é tão difícil de entender. Volta pra mim. Eu penso na solidão, espalho coisas recortadas em cima da cama, sua imagem não sai do meu pensamento. E ele voa. Onde está você agora?
            É uma canção de amor. Pra tocar na rádio no momento Good Times. Pra você ouvir e se apaixonar. E eu só não te convido pra dançar, porque eu quero encontrar contigo em particular. Longe dos olhares curiosos. Pode ser na realidade, nos meus sonhos. Naqueles que sonhamos juntos. À capela: eu tenho um lado doce que quase ninguém viu. E você os sentiu. Faça sinais. Mesmo que sejam sinais de fogo. Não sei terminar. As palavras que guardo no meu coração não existem no dicionário. E quando você entender o meu vocabulário, saiba que era pra dizer somente sobre o maior sentimento vivido pelos homens.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fica sempre um pouco de perfume

        
Se existisse exame de corpo delito após uma noite de amor, você seria enquadrado e preso. Prisão perpétua. No meu coração. Suas digitais estão gravadas pelo meu corpo. Espalhadas por todos os cantinhos, dobrinhas, pela pele. Agora não tem jeito, sua marca está registrada. Deixou fios de cabelo, seu cheiro está impregnado, o gosto de sua saliva ainda está na minha boca. Cada detalhe do seu DNA está identificado pelos caminhos que percorreu com a língua, com os dedos, com seu sorriso. Deliciosos beijos. Apaixonados quando me contemplavam vestido, seminu, pelado. Intensos quando seus olhos estavam cerrados.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma história para o cinema


                O melhor sexo é aquele feito com amor. Mas se ele não está presente, sem dúvida, a melhor transa é aquela feita sem pudor. Sem receita, sem compromisso. Sem juízo. Com línguas, boca, dentes, corpo, alma. Pelos. Pentelhos. Suor. Muito suor. Orelha, nariz, lóbulo. Um suspiro no ouvido, um cheiro na curva da mandíbula, um beijo quente. Sem meias palavras, sem elogios. Gemidos. Tesão. O desnudar pouco a pouco. Cada peça retirada é uma descoberta. Um beijo na escada... “Quando for convidado para ver um filme, lembre-se: ACEITE.”  Pode ser uma cantada ou uma afronta. Quando os créditos subirem, você saberá onde continua a parte 2.
                Durante, dedos se tocam, lábios se encontram. Pé frio, o resto quente. – Preciso de alguém para me aquecer! O pedido vem seguido de um abraço apertado. Uma mão leve, mas certeira na pegada. Beijos ardentes.  Boca que se conhece. A língua, a saliva, os dentes. Beijo com paixão. A camisa sai. A mão encontra a cordinha do short. – Calma! Temos tempo. – Pra que impedir algo que vai acontecer mesmo? – Para que eu possa ficar mais tempo com os meus segredos.
               As mãos deslizam pelo cabelos encaracolados. Um afago. Carinho que preenche. Dedos finos que sabem acariciar. Que sabem fazer uma massagem. Deslizam pelas costas. Encontram o desejo. “Ah! Que bunda!” Guardada, sonhada, desejada. Deslumbrante. Dobrinhas esquecidas. Mas que exploradas com a língua, animam qualquer relacionamento. Beirada da coxa, do glúteo, tudo ali recebe um carinho. Vai vem constante. Pelos arrepiados. Excitante. Excitante também o encontro do pé com a mordida. No calcanhar. A língua passando entre os dedos. De leve, com força. Suspiros, gemidos. A massagem leva até o teto. Tesão em chamas. Foge do meu cheiro na nuca. – Isso me leva à loucura! Insisto. Estremece. Suspira. Geme baixinho. Suspira alto. Respira quente.
                A respiração ofegante está no mesmo ritmo. Corações batem na mesma sincronia. Momento ideal para a sinergia. Fuga das cuecas. Elas se perdem no colchão. – Fique de pé? Quero ver sua bunda magrinha. Ousadia. – Você quer, mas eu não vou dar pra você hoje. No próximo encontro. Num outro filme. Viu? Já temos a desculpa para o próximo encontro. “Ligue a televisão e procure qualquer sessão coruja. Só entende quem namora.” Finalmente, a carne. O cheiro do gozo. De sexo. De desejo.
                Sugam os mamilos. Mordininhas. Tremem. Pelos enrijecem. A perna fica bamba. O oral, o sopro, o ir e vir do encontro das membranas macias. Uma deliciosa inspiração de quem inventou o boquete. O melhor órgão sexual é a língua. Mole e dura. Sempre usada. Não brocha. Excelência para as bocas performáticas. Massagem com as mãos nas costas. Corpos se encontram. Suores se misturam. Cheiro. Cheiro. Cheiro. – Você é muito gostoso.
                Conheci na boate. Olhares instigantes. Telefonema sem propósito. – Vamos ver um filme? Perdi o juízo, porém ganhei o presente da conquista. Do meu jeito. Do meu gosto. Já não é mais oculto. Os corpos já se conhecem iluminados pela lua. Sem pudor.
                Intenso. Sincero. Verdadeiro. O gozo. A despedida começa no momento em que há a sublimação do desejo. Gozar é bom. É o resultado de toda a excitação. Porém, também é a hora de ir. Fechar os olhos e sonhar com outros instantes. Limpar o exagerado banho de sêmen. A semente da relação. A semente do amor. O fruto da vida. Inexplicavelmente uma boa história. A melhor transa da vida. Beijos na escada, com gosto de saudade.